Em Huaraz tb reinam um tipo de mototaxi mais humilde! É do tipo pedalotaxi!!Logo pela alvorada!
Tinhamos que partir ás 6h30 de Huaraz, para começar a caminhar cedo... mas o autocarro estava avariado. Depois arranjaram substituto... mas depois nao havia condutor... entretanto eram uma 10h30 e nós no mesmo sitio... Arrancámos de combi... Escusado será dizer que o primeiro dia se foi ao ar...
Nós queixamo-nos dos pés com sapatilhas detopo... E os gajos caminham pela montanha montados nestes chinelinhos!!! Claro... Nem todos!!
Este foi mais um fotao meio falhado meio acertado... Máquina saida de rompante da bolsa e o disparador a funcionar...
Em Yungai (a tentar chegar ao sitio de inicio da caminhada... foi um longo dia...) estivemos numa feira impensável... Nao vimos um único turista... e tivemos direito a tudo! Sapatos, fruta, peixe seco, vegetais, folhas de coca, milho frito, assado... Tasquinhas, roupa, sandálias, cadernos, lápis de cor, marcadores, cola tudo, autocolantes variados... Um festim em que nos lambusámos e deliciámos!
Ng diria que nestaToyota Hiace caberiam uma boa vintena de pessoas mais um volume equivalente no seu tejadilho e continuaria a subir montanha acima!
Como o Pablito já nao cabia lá dentro... Foi ao frio cá fora! Lol
Por dentro é assim....E quando nao se acredita mas se chega a ver... Ficamos assim.
13h47min
Estamos em Yungai. Aproveito para escrever meia ás pressas porque nao me parece que nas próximas horas vá conseguir.
Estamos cada vez mais fundo na Cordilheira Branca, num combi que nos vai levar sacudidos montanha acima, durante 3 h, até Vaqueria.
A nós e a mais gentes de cá... camponeses, velhos, professor (há aqui um professor todo direitinho). Nitidamente um número de pessoas bastante superior ao indicado para uma carrinha destas, numa estrada de montanha.
As cortinas da massacrada carrinha estao presas com cordino. O rádio vomita musica andina. Agradável, com toque exótico. Foi o que pensámos a primeira vez que a ouvimos. Dentro de uma carrinha destas, com todo este cenário de corridas para carregar malas e empacotar gentes onde elas nao cabem, com todos estes trajes, lingua, sotaque quechua, montanhas à volta... A música dá o toque final. O elemento que falta para nos sentirmos nao dentro do filme, mas o filme!
13h55min
Já me encontro confinada a um espaço mais reduzido. Totalmente entalada num cantinho. Felizmente com uma janela aqui mesmo alcance dos meus pulmoes que, de vez em quando, insistem em lembrar-me que tenho algo parecido a asma. O Pedro espreme-se para guardar e defender o seu lugar de frente para o corredor do mini-autocarro improvisado. Os joelhos nao perdoam... os meus também nao... mas as pernas dele sao maiores.
14h00
As pessoas continuam a subir a bordo. A verdadeira viagem da loucura. Já fiz viagens totalmente disparatadas no que toca a condiçoes do meio de transporte e à quantidade de pessoas... e nao sou, de todo, o tipo de pessoa dificilmente impressionável com histórias destas. Mesmo que eu seja parte da história... mas esta... parece-me que vai bater muitos records pessoais. É uma grande, grande, grande, grande máquina, esta carrinha toyota hiace.
Estamos 16 pessoas, mais cargas em cima, mais as cargas delicadas, que vao aqui mesmo dentro. Ainda existem dois lugares livres. Estamos 3 pessoas no banco de tras... a sra que aqui falta está, neste preciso momento, a tentar entrar e colocar-se aqui atras...
"Já estamos bem apertadinhos", diz o Pedro. "Vamonos papi!"... Clamam as gentes... E vamos. Estamos a andar! A carrinha mal se mexe para subir... pronto, já nao consigo escrever mais.
E foi assim durante 3h e meia bem medidas.
19h59min
Estamos dentro da tenda debaixo de chuva cerrada. Chegámos muitissimo tarde à zona de inicio da caminhada. Começámos a caminhar ás 17h30 (mais coisa menos coisa, nao importa... era bastante tarde... ás 14h00 já era bastante tarde).
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Huaraz - Caminho de Santa Cruz - Dia II
28 Março 2007
Ng diria que com um aspecto destes, no dia anterior tínhamosmontado a tenda de noite e debaixo de uma tempestade pouco bonita de sever ou viver!
Até chegarmos ao fim da caminhada nao sabiamos que por aqui tb há unsbichos grandes que eles chamam osos!!Eassim caminhámos o tempo a tentar imaginar que bicho teria triturado esta vaca!!Ossos e tudo!
Folhas de coca na boca... Um cajado... E um rebanho. E assim se passam os dias...
Estava sozinho no meio do vale. Botins, capa tecida à mao... feita em casa, com la das suas ovelhas?Casaco impermeável por cima. Chapéu. O tipico. O que todos usam por aqui. Feiçao rigida, mas de homem bom. Sem duvida de homem bom. Para acabar, ou para começar, que estamos em terras altas e caprichosas, folhas de coca na bochecha, na direita.
Pastoreava. Tinha cajado, também. Para indicar-nos o caminho, para apontar o céu ao fazer-nos as previsoes metereológicas, para guiar as ovelhas e para se apoiar no ombro (esta deve ser universal).
Falou-nos da montanha. Deu-nos conselhos. Perguntou de onde vinhamos.
"Aqui... Vêm de todo o mundo! Do Equador e de Israel é que nao!... Eles foram contra nós na guerra e agora nao vêm cá, que têm medo!" Mas a guerra já acabou... Continuam sem vir? "Todavia! E o Equador é que pediu ao Peru para acabar a guerra!"
Histórias comlexas simplificadas por pessoas igualmente simples... com coraçoes onde nao cabem guerras... e tempos intemporais... para quem ainda existem consequências da guerra.
Vamos embora... Obrigado! "A vocês!"... e já agora... 1 ou 2 sol. Que a mulher está doente e nao existe dinheiro para os medicamentos. Além disso, todos os turistas dao dinheiro!
Nao temos. Perdao sr (porque pediamos perdao?). Ficou com um pacote de bolachas.
A universalidade da pobreza e a eterna responsabilizaçao das pessoas que vêm de longe de terem de ajudar a resolver. Seja como fôr!
Esta aqui nao custou menos que a outra!Alem disso o descanso so se alcança 4dias depois! Nem nós sabiamos que completamente encharcados!
Esta tem dono... Certo Mr. Nunca!?
Mas por aqui o espirito Nunca Melhor rules... Ehehe... Abaixo Nunca Pior! VIVA NUNCA MELHOR!!!
Custa nao custa!?? Mas é bom nao é!???... Se é.
Mas o problema é que a malta por aqui nao deve saber ingles... Ou entao esquece-se!!
Isto com a altitude começamos a ver assim meio ao contrário!
E tudo foi um mundo novo quando a menina miminho aprendeu a dançar em cima daspedras escorregadias! Mais uma pelaqual está de parabéns!Ainda mais com a carga toda ás costas!
Pois é... Pois é... Assim sao as recompensas dos guerreiros! Só faltou a musica vir do céu e no dia seguinte nao nos esperarem umas 6horas de caminhada de pés molhados. NuncaPior! Ou melhor!
E caminhar á noitecom um luar destes!?? Hein!??
Como devem imaginar... Nada se passava dentro da tenda porque eu tinha de estar a tirar e fazer a fotografia.20h09min - 4460m
A paisagem é magnifica. Temos a tenda montada por cima de uma neve envergonhada que vai formando padroes com as ervas, a terra e as pedras. Aqui à frente, quase ao alcance do braço, o Pucaraju, um dos picos da Cordilheira Branca. O céu está descoberto e exibe, orgulhoso, todas as estrelas (bem, na verdade, quase todas) imagináveis deste lado do equador. Uma lua quase cheia mostra-nos a neve das encostas, que coroa com um brilho mágico este quadro idilico.
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Huaraz - Caminho Santa Cruz - Dia IV
30 Março de 2007
Por fim, o caminho está completo.
Depois de termos estado ligeiramente desorientados ontem e termos caminhado para trás... Para hoje voltarmos a fazer o caminho de ontem para conlcuirmos que tinhamos mesmo de molhar os pés... Lá fizemos o caminho todo.
O percurso de hoje foi bastante fácil, a altitudes muito mais baixas e sem subidas. Nao fosse a chuva e os pés molhados da travessia dos rios...
O dia começou colorido!! Mas depois foisó a escurecer e o corpo amolhar-se!
O aspecto era duvidoso mas os cereais deliciosos! Ou assim o pareceram!!
O sol nasceu tao forte que até a tenda queimou...
Espectáculo magnifico em que até parecia estarem a posar par nós.Afinal tinha mesmo de ser! E foi! Umas 6 horas a caminhar com os pezinhos bem encharcados!
Passámos por um vale de filme, com cavalos que o nosso imagináro permitiu adivinhar selvagens... mas é bem provável que nao...
Os bois por aqui há-os de todos... Literalmente... Mas este aqui até a sua ilha propria tinha!
As senhoras aqui do Peru nao perdem tempo. Sao a eficiencia em pessoa...Conseguem realizar as mais diversas tarefas eestarem ao mesmo tempo a fiar a la ou a tecer alguma coisa com ela. Palavra de escuteiro!

Vá lá... Só umabolachinha que eu até de morto faço! Pleeeeaseeeee!!! Sao todos iguais! Nestes nao senota nada que mudámos de continente!
Aqui brinca-se com tudo! Até com lixo!
Tenho andado a ver uns filmes de Cowboys e parece que a palhinha na boca está de moda!
Aqui vive-se feliz com muito pouco! Pena que a nossa geraçao playstation nao tenha muitas vezes consciencia disso!
Nós e o grupo de francius que nos quiseram convencer que lá na França eram pastores... E agora sao turistas!! Mas com aquelas maozinhas de princesas nao nos convenceram lá muito bem...
Está tremida nao está!? Nao sei se seria da falta deluz se do medo!? Para voltarmos para Huaraz, apanhámos o Combi da morte. A chover quase torrencialmente, uma carrinha num imainável estado de manutençao, voava sobre a estrada molhada... A uma velocidade que, facilmente, se pode imaginar exagerada.
Eu ía encostada à janela, comprimida (a questao do número de passageiros é outro capítulo) a olhar para os contornos da estrada e das montanhas à volta... Ou lá ao longe, porque o que mais existia à volta da estrada era precipicio. Via uma curva ou uma grande poça de água a aproximar-se e respirava fundo, tentando acalmar-me na expiraçao... e afastar maus pensamentos...
O Pedro, ao meu lado, ía dizendo: "Eu prefiro nem ver a estrada!", "Nesta curva nao faltou tudo!", "Ele só nao faz aquaplaning porque está muito pesado...".
Aqui entra a questao do número de passageiros... Chegámos a viajar de porta aberta, a chover. Pessoas de pé. Onde se poe pessoas de pé numa carrinha toyota hiace quando já vao 19 sentadas?
As mochilas, claro, nao couberam dentro da carrinha... mas couberam fora!!! Por cima. "Nao se preocupem, vao bem seguras.". Por uma rede bem forte, confirmámos... mas note-se o pormenor: chovia... bastante. Tranquilos, caírem nao caem.
Passámos por dois acidentes no caminho. Os primeiros que vimos em toda a viagem, por impressionante que pareça.
Muito embora este motorista fosse especialmente, muito especialmente, maluco e perigoso, havia quem dormisse profundamente naquela carrinha... com o fresco da porta aberta, com o cheiro a cabelos lavados acentuado pela humidade, pelo condensado da chuva, da respiraçao e da transpiraçao. Com os cheiros das higienes menos cuidadas ou do peixe seco do sr do canto. Tudo cozinhado pelo escuro de um sol acabado de por, no meio das montanhas assombradas por nuvens grossas e carregadas.
Adorámos a viagem e tudo o que fomos absorvendo nela.
Ahhhh!!! Voltando ao pormenor de molhar os pé e tal...o resultado foi este! Pelo menos assim pensávamos nós que tinha sido só este! É parecido com estar num jacuzzi meia duzia de horas...Só que este dói!Etiquetas: América do Sul, Caminhada, Huaraz, Montanha, natureza, Peru, Santa Cruz Trek, Viagem






