Choro Trek (Montanha ou Selva??)- Bolivia
Já nos passaram alguns caminhos pelos pés e pelos olhos... Nao os mesmos aos dois, porque os nossos passos nem sempre foram os mesmos. Mas, tanto para um como para outro, este foi o caminho mais bonito e variado que fizemos.
Em termos de dificuldade, nao é nada do outro mundo (diriamos mesmo fácil). No primeiro dia tivemos umas 2 horitas de subida, até ao passo de 4900m. A partir daí, é só a descer. Mas com atençao aos pézinhos, que os tornozelos gostam de se torcer em terrenos com pedras e descidas como aquele. Durante 3 dias (ou 4, depende de como se planeie), vê-se a paisagem a mudar de montanha para selva, com uma transiçao de filme!!! Encontram-se povoaçoes nos sitios mais isolados e impressionantes... E a paz é aterradora.
O único senao, para quem nao está habituado a caminhar muito carregado, é a duraçao... Para fazer o caminho independente, há que levar tenda (porque a primeira noite é passada em zona de montanha e áquela altitude quando sol desaparece fica fresquinho...), comida e equipamento para selva e montanha...
O repelente... O repelente é uma peça fundamental nesta caminhada. Mais nao seja para alivio mental.... Porque os mosquitos que se encontram no caminho sao altamente terroristas e adoram repelente. Problema que existiu em toda a sua força no ultimo dia, em que caminhamos 2 horas... mas ficámos como um passador!
A estátua do Cristo em La Cumbre! Local de partida da famosa estrada da morte e desta nossa nova aventura! A vista é de cortar a respiraçao!
E assim começámos a caminhar... literalmente sem destino e com quase única referencia a nossa bússola apontada a Noroeste!
As manadas de lamas e seus pastores em trânsito confirmaram-nos que esta rota ainda é, nos dias de hoje, utilizada como principal artéria de ligaçao entre os Yungas e a capital! Nomeadamente para os menos abastados e que vivem segundo costumes já muito esquecidos pela nossa sociedade.
E foi pelo meio destas magníficas gargantas da terra que nos embrenhámos, perdidos do mundo do século XXI, durante 4 dias!
Até parecia um caminho a princípio, mas rapidamente constatámos que nem um Jeep poderia circular ali... Por estas paragens, só mesmo a duas ou quatro patas.
Uma pequena pausa... Neste caso nao com Kit Kat!! Mas com Snickers!! De uma série limitada que eles têm por aqui que é simplesmente delicioso... Sobretudo quando acompanhado por uma paisagem como esta.
"Excava el pozo antes de q' tengas sed" .Pela noite provámos o duro frio dos Yungas: -4 ou abaixo estiveram durante a noite!
Durante o dia a temperatura subia aos trintas e picos! Talvez daí os escritos peñas paredes.
Com um monte de ideias e projectos, tornámo-nos um bocadinho mais assíduos das filmagens de novo. Já só temos 3 k7's vazias... Mas vao ter de chegar.
Talvez por isso tenha surgido a ideia de a empurrar um bocadinho! E assim lá a escondemos atrás das montanhas por umas horas.
Como já vem a ser hábito... O material começa seriamente a dar os sinais do tempo! Já nem a fita americana conseguiu segurar estes dois bocados de óculos até ao fim desta aventura.
1 dia e algumas horas depois encontrámos os primeiros seres da nossa espécie. Estes mais jovens assustam-se ainda um pouco com a nossa presença! Os que nao se assustam já foram "educados" por outros ocidentais a pedirem a esmola costumeira.
A passagem da montanha para a selva parecia misticamente dividida por uma bruma constante que parecia subir e descer como as marés!
...e pouco depois entrávamos na misteriosa bruma.Para nos orientar-mos contávamos com umas breves descriçoes de um livro, uma bússola, um altímetro e um caminho Inca mais ou menos óbvio de seguir. COnsta que existem relatórios de alguns assaltos por aqui... Mas a verdade é que vimo muito poucas almas nos 4 dias de caminhada.
Passámos a primeira ponte suspensa! Mas das antigas já quase nao se vêem! Estas sao sem dúvida o único testemunho da engenharia dos tempos modernos! Ou pelo menos lá perto!
Estas sao o testemunho ainda dos tempos que já nao se recordam!
E a bruma foi-nos acompanhando durante quase uma jornada... Até que acabou por dar lugar a uma chuva muito miudinha que se confundia com orvalho e que entrava até aos ossos!
E fomos tomando os conselhos que nos iam surgindo de tempos a tempos... Dando corda aos sapatos, pois o plano de 2, 3 dias já se estava a alongar para 4 e se nao nos despachasse-mos para 5!
A vegetaçao foi-se serrando... E a selva parecia começar a querer engolir o caminho e a nós com ele!
Mais uma... Todas exactamente com a mesma construçao! Como se fosse um franchising das pontes! Talvez uma obra de caridade do governo para com aqueles que têm de percorrer estes trilhos sempre que querem visitar a família!
No fim do terceiro dia caminhámos até ao anoitecer... Numa esperança vä de chegar a um dito campo S. Francisco... Que mais tarde descobrimos estar ainda a horas de onde resolvêmos pernoitar. A noite, e os sonoros ruídos da selva aconselharam-nos a montar a tenda no primeiro sítio que encontrámos! Por sinal, um dos melhores das últimas horas!Pela manhä, a quantidade de verde enchia metade do nosso campo de visao! A outra metade era azul de um céu agora bem descoberto da bruma do dia anterior!
Sem água para beber ou fazer leite diluçido, pusémo-nos ao caminho logo pela manha! Foi preciso uma curta mas bem dura hora até chegar-mos ao primeiro rio! Aqui bebemos, fizémos leite para os cereais e até quase começámos a tomar banho... Nao fosse a temperatura que nos dissuadiu prontamente!
Esta nao era do tamanho de pratos de jantar!! Mas as nuvens de borboletas que haviam pareciam mágicas quando as atravessávamos.
Chegámos finalmente a S. Francisco... E nais tarde a um outro aglomerado de umas 2 casas! Esta menina perdida da selva... Parecia querer acompanhar-nos de volta à civilizaçao! A mae ainda nos disse que a levássemos... Um pouco em tom de brincadeira... Um pouco (pareceu-nos)em tom sério! talvez numa esperança de um futuro mais risonho para a sua filha!
E lá nos fomos deixando comer pela selva serrada e pelos seus mosquitos cada vez mais numerosos e suicídas! Estes já nem o repelente respeitam!
Depois de S. Francisco, as nossas ânsias viraram-se para uma suposta casa de um eremita japonês que se mudou para cá há umas dezenas de anos! Foi em väo que as horas foram passando... A cada vislumbre de construçao parecia já termos miragens do japonês! Mas ainda nao tinha sido desta...
A casa do Japonês lá apareceu finalmenter ao fim de mais uns milhares de passos! A surpresa foi que já nao se encontrava sozinha.... QUe o Japonês já nao deixava montar tendas gratuitamente... E que só naquela zona já viviam umas 25 pessoas! A verdade é que já nos sentiamos a aproximar da civilizaçao de novo!
O albergue Urpuma oferece as condiçoes mais luxuosas que se poderiam esperar (ou nao!!) de encontrar no mneio da selva. 65 bolivianos por pessoa por noite! Só é preciso é caminhar umas 3 horitas a pé para lá chegar (em senido contrário ao nosso) ou alugar um burro ou cavalo! Turismo para excêntricos... Pensámos nós! Mas seguramente vale a pena pela calma que se pode encontrar naquele lugar.Neste dia ainda descemos até á aldeia de Chairo... Infelizmente já nao é o que vem nos livros ou que se contava. Parece uma colónia onde os magnatas de La Paz vao fazer as suas moradias de fim de semana ou férias e a partir daqui já nem sequer existe o antigo trilho. Uma estrada de terra levou-nos até uma estrada principal de onde apanhámos transporte para La Paz!
Regresso a La Paz. Seguindo o conselho de uns viajantes que conhecemos na montanha resolvemos ir espreitar e provar o magnífico, divinal, abundante pequeno almoço buffet do Hotel Rosario! E garantimo-vos que saímos quase a rebolar com a quantidade de tudo que devorámos durante uma boa hora! Vejam lá que saímos de lá ás 11 da manhä e à hora de escrita deste comentário (18:15) ainda nao comemos mais nada!!! 
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Ilha do Sol - Bolivia (Estadia e volta)
Esta ilha, é em tudo diferente das outras ilhas do lado Peruano.
Berço de todo o mundo e dos Inkas. Conta a lenda que foi aqui que Manko Kapac (o primeiro inka) surgiu da mesma pedra a partir da qual foram criados o sol, a lua e as estrelas.
Percorremos a ilha de um lado ao outro (sul a norte). Seis kms de puro encantamento e paisagens assombradoras.
O lado norte, é bastante mais agradável que o lado sul. Menos ventoso, menos populado, mais calmo, mais pitoresco... E é também onde estao as ruínas do inicio de todas a lendas e... Um museu que nos fascinou, onde estao parte ndos restos encontrados de uma ilha que está submersa no meio do lago. Markapampa, assim se chamam as ruínas. Já deram que falar e mergulhar, porque até o sr. Costeau por aqui andou a mergulhar em busca dos mistérios perdidos dos costumes e lendas da dita desaparecida.
O numero de hostais e hoteis na ilha cresce a um ritmo impressionante e nao muito organizado. Igual se passa com os restaurantes. Muitas sao as familias que constroem anexos ás suas casas, para terem um ou dois quartos para alugar a turistas. Ainda assim, apesar da concorrencia, os preços sao inflacionados na pequena ilha mágica... Tenho para mim que, se ninguem fizer nada, dentro de muito pouco tempo a ilha será um lugar feio e a rebentar de hoteis e restaurantes.
Para voltar a Copacabana, escolhemos um método bem mais tradicional e relaxado - Ferry directo.
O dia começa cedo nas ilhas... esta pequenita, da casa onde dormimos, preparadinha para ir para a escola!

A sair de ¨casa¨... Para aquecer e nos prepararmos para mais um dia a caminhar em altura - a subida!

O recreio da escola, toda ela era moviemnto... Impressionante! Cada metro quadrado podia ser dividido em muitos sectores de actividades!
Lado sul da Ilha do Sol... e a travessia começa!
Lado sul... Assim se faz publicidade por estes lados...
Baía Kona Sul (vá lá!!nao sejam perversos!).

A meio da ilha, depois de termos passado para a segunda comunidade. Anda, caminha!
E para os apaixonados destas baías temos ainda... Baía Kona Norte... No comments!
O lado Norte da Ilha do Sol. Calmo, pacato e pitoresco...
Um porto perdido... dos muitos que por aqui se encontram... nao fossemos estar numa ilha.
Esta é dedicada à nossa ceramista preferida!
A calma da vida por estas partes, como muitas outras que temos visto, impressiona...
Um casalinho com ares de crescidos... Uma infancia curtida pelo sol em altitude e isolada... É assim que crescem com a calma impressa em cada brilho do olhar.
O nosso capitao de volta! O verdadeiro artista da conduçao com o pé!
Ah! O regresso está a ser bastante mais calmo e solarengo que a ida, nao?!
100% Boliviana...
Há diferentes formas de viajar neste lago... Quem quizer, passa uma noite num barcao no lago... e paga por isso, claro está! Nem imaginamos quanto!
E tomar uma banhoca no lago... Hum!!!! Fresquinha, hem?
Este é o porto principal da ilha. Por aqui chegam quase todos os turistas. Aqui se amontoam as crianças da ilha, as que nao estao na escola, para tentar vender alguma coisa... ou apenas pedir... Para receberem os desejados dólares...
A chegada á ilha por este porto é... dura! Mas muito bonita!
Rumo a Copacabana! Com o nosso artista do pé!
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