Uma Reflexão De Vagarinho

Passou rápido. Demais? Não conseguimos responder.
Como em todas as experiências, não somos as mesmas pessoas que partiram de Lisboa. Na essência, somos os mesmos, mas reforçados, mais fortes. À medida que os quilómetros se íam somando, a cabeça ía crescendo, as medidas que avaliam a realização tornaram-se escusadas e reduzidas para serem por nós utilizadas.
Crescemos. Muito. Individualmente. Os dois juntos. Nuns dias, mais que noutros. Mas nalguns dias, tanto, tanto... que só de recordar o peito aperta a alma e espreme uma lágrima teimosa. Uma atrás da outra.
Isto é viajar. Tudo é viajar. Só o fizemos de uma forma óbvia. Isto foi viver. Viajar assim, é escolher o essencial, ter capacidade para o fazer, e partir de mochila ás costas com vontade de mundo. É fazer casa de uma noite numa residêncial boa, má ou mais ou menos. Num autocarro, numa estação. É conhecer o mundo e a nós mesmos, É ver culturas e entrar nelas. É respirar pessoas diferentes. Que falam Quechua, que falam Aimari, que falam Espanhol, Francês, Inglês, Alemão... É aprender... É absorver. É reflectir. É reagir sem pensar. É rir, chorar. É partir e chegar. É ter saudades. É viver. Por vezes, sobreviver.É sentir o instinto de sobrevivência, aqui e ali. É movermo-nos, diariamente, por ventos peregrinos e imperativos de movimento.
É uma das coisas mais realizantes do mundo... Pode ser, também, a mais dificil, a mais desesperante... Dormir pouco, procurar local para dormir (barato, hoje com água quente, que estamos a ficar doentes...) numa zona não muito perigosa, programar a viagem do dia seguinte... Tratar de procurar bem... Não queremos pagar o dobro do preço mais barato que poderíamos encontrar. Chegar durante a noite a cidades que, ouvimos de dezenas de bocas, são perigosas... Ter febres altas. Diarreias. Saber dizer que não num sitio desconhecido onde insistem que sim, que tem de ser como dizem. Aqui e ali... discordarmos um com o outro e conversar até ao entendimento.
Uma série de coisas que vivem sem se dar conta. Situações que, a grande parte delas, se resolvem em andamento, de modo fluido e sem dramas.
Longe de tudo o que nos é tido como conhecido e familiar, a cabeça cala-se, só escuta. Só fala para nos dizer coisas realmente importantes. Definem-se algumas certezas: de pessoas, de locais, de ocupações. Alinham-se os ponteiros da bussola e o que é realmente importante cola-se à frente do ponteiro... O norte está de novo alinhado. O corpo exausto e a mente a necessitar de sossego para aceitar e digerir tudo o visto, sentido, aprendido... e... no entanto... doce ironia!!! Nunca as energias foram tantas para pôr em marcha os planos e projectos que vieram com estas certezas (poucas, mas certas).
Passámos por portas sagradas, onde passam os primeiros raios do sol (desde há séculos atrás) de amanhaceres mágicos, dormimos em praias desertas, marchámos sobrte Machu Picchu, caminhámos sobre neve (e dentro dela), pelo meio de montanhas de cordilheiras miticas, em areias de praias de reservas naturais, em desertos, em desertos de sal... Conhecemos pessoas dos 4 cantos do mundo... e pessoas que nunca tinham saído da sua aldeia.
Tivemos medo. Da guerrilha. De acidentes rodoviários. De nós. De ser assaltados. Chorámos, por vezes. Rimos, muito! Sorrimos, quase sempre. Vimos o milagre de crianças a rir no meio de miséria absoluta. Segurámos na testa de uma mulher a morrer. E crescemos... Tanto...
Agora, voltámos. E "voltar" é uma palavra que se pode encher de significados...
Agradecemos a todos, todos! Os que nos ajudaram, com pensamentos positivos, com palavras de apoio, com criticas (sempre que foi altura de as fazer), com visitas ao blog, com material, com a confiança que depositaram em nós e no nosso projecto... com amor... com carinho... com amizade.
Agradecemos, do fundinho dos nossos seres carregadinhos de coisas boas (novas e antigas). Hoje, com palavras, mas acreditem, que o fizémos todos os dias, com pensamentos.

Que les vaya bien!!! Hasta pronto!

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Patrocìnio Eurolist: Manuela Filipe

Chuveiros



"Tem água quente?"... Claro que tem!!! 24 horas. Ficamos entao.
E na ponta do cano, temos isto. Um dispositivo muito semelhante a chuveiro, eléctrico. Tem uma resistência lá dentro que vai aquecendo a água que vai passando. Tem, portanto, duas particularidades: nao se pode utilizar com muita pressao, se nao o fluxo de água é superior à capacidade de aquecimento da resistência. Estamos altamento treinados na modalidade duche a conta gotas. A segunda particularidade é a de dar choque... Quando nós, desesperados, esticamos uma pontinha de um dedo para chegar à água quente (porque a conta gotas, quando a gota chega à barriga, já nao dá aquela sensaçao de calor...) e estabelecemos contacto com o plástico do "chuveiro"... a surpresa do choque eléctrico. Pequenino, modesto... mas impoe respeito. Transmite uma mensagem deste género: sossegados! Calma que a água já chega aí a baixo!

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Patrocìnio Eurolist: Jaimito Santos

Cusco -Peru

21 Abril
Pátios interiores de antigas casas coloniais. Agora repletas de lojas para o turista menos prevenido! Um verdadeiro deleite para os olhos.

" Vendedor de alguma coisa" na praça de armas de cusco.

Cusco... A primeira paragem antes de Machu Pichu, o ultimo refugio Inka (?). A primeira cidade Inka. A cidade cheia de histórias e lendas. Onde ao passear pelas ruas se encontram restos de arquitectura Inka. Onde se vêem imponentes igrejas e catedrais feitas ás custas da destruiçao de autenticos colossos inkas.

É uma cidade extremamente bonita, que exige largas caminhadas pelas ruas e ruelas. Exerce um fascinio e um magnetismo muito especiais, muito embora a maioria das pessoas que chega,diz: "Esperava algo mais calmo,mais pequeno". Nao se trata de desilusao. Um raro caso em que, logradas as expectativas, o que se encontra é bom!
A quantidade de informaçao e cultura à disposiçao em Cusco (e arredores) é enorme e muito variada. Museus e espectáculos... tradicionais, contemporaneos. Em Cusco, é muito dificil acordar sem ter que fazer...
Para o visitante menos informado,Cusco poderá pertencer ao imaginário como uma cidade muito espiritual. Calma. Onde se pode começar o processo de introspecçao antes de rumar a Machu Pichu. De facto, pode-se fazer esse trabalho de reflexao.... mas existem algumas dificuldades. Cusco está repleto de bares e discotecas. Respira-se um ambiente de festa incrivel ao redor da magnifica Plaza de Armas.
Tem aquele condao de fazer as pessoas ficarem sempre mais tempo que o que tinham planeado...


Os Inkas, nao inventaram nada. Nao descobriram nada de relevante. Foram grandes guerreios e autenticos estrategas. Sociólogos de se lhes tirar o chapéu, dada a época e os métodos bélicos de conquista.
Tiveram a capacidade de aglutinar civilazaçoes, em vez de as varrer. Aprendiam com as novas civilizaçoes conquistadas e espalhavam esse conhecimento pelo império, bem como partilhavam o conhecimento que já possuiam. Tiveram dimensoes impressionantes (sul da Colombia até ao Chile e Bolivia).
Tiveram conhecimentos de astronomia assustadores, que composeram com as somas de todos os conhecimentos das civilazaçoes que iam assimilando. Viveram num equilibrio com a natureza dificil de igualar e invejável.
Ainda hoje perdura a cultura Inka nos hábitos alimentares das pessoas que habitam esta regiao. Bem como nos seus trajes. Bem como na sua ideologia de vida... Nos seus cultos... Vêem-se as camisas brancas, as calças e coletes, nitidamente trazidos pelos espanois (e por eles impostos) e no chapéu fitas com as cores do arco-iris... Que simboliza o fruto da uniao sexual do sol com a terra, por intermédio da chuva (o esperma do sol). O rol de escapes encontrados por estas gentes para continuarem com os seus hábitos e principios de vida, é extenso... Existem pormenores tao pequenos que assustam e fascinam...
Os Inkas foram derrotados facilmente, porque os espanhois empunhavam uma cruz... que foi interpretada como sendo a cruz do sul (constelaçao muito importante para este povo), porque os homens do velho mundo eram enormes e brancos, tal como era um dos seus deuses. No primeiro confronto que tiveram, os espanhois, com as suas armas de fogo, foram derrotados pelos Inkas e pela altitude. O ultimo combate, foi ganho pelos espanhois, que se aproveitaram de uma disputa de irmao e trairam vergonhosamente o chefe inka enquanto lhe apertavam a mao para solidificar um acordo de tréguas.


Crâneos trepanados. Estes pertencem à civilazaçao Inka, mas a trepanaçao já era realizada em muitas civilizaçoes pré-inkas. As teorias sao muitas, mas a mais forte diz que a trepanaçao era feita com fins medicinais (e nao de castigo ou adorno). Realizavam uma incisao, descolavam a pele, trepanavam(furavam) a caixa craneana, colocavam um pedaço espalmado e circular de ouro ou prata a cobrir a área de trepanaçao e suturavam o retalho de pele. Quem sabe, uma soluçao para as enxaquecas!!
Craneo moldado com cintas enroladas à volta da caixa craneana. Esta forma alongada (totalmente inatural e nao originada pelos seus padroes genéticos) era trabalhada com bandas para moldar o crescimento ósseo. Era praticado até as suturas estarem completamente fechadas. De modo empirico (ou nao, aqui as opinioes tambem se dividem) os Inkas conheciam a idade em que parar a modelagem, logo a idade de calcificaçao das suturas.
A foto nao o mostra mas esta é uma mumia Inka na sua posiçao fetal. Os Inkas acreditavam que a morte era um renascimento e por conseguinte devíamos ir para o outro mundo da mesma forma que chegámos a este. Este costume tb já era praticado por outras civilizaçoes pre-inkas.
Esta é ainda uma curiosidade por explicar. Estranhamente, um grande número de engraxadores têm este par de sapatinhos de bébé pendurado por baixo do seu estaminé com um propósito qualquer! Será o mostruário!¿!?
Aqui brinca-se com tudo...
A famosa rua em que se encontra a pedra dos 12 ângulos. Aqui encontram-se logo uma mao cheia de adolescentes (ou nao!) prontos a explicarem-nos um montao de teorias sobre a famosa pedra. O problema é que sao as suas teorias e segundo consta, nao a realidade.
Do lado direito um exmplo de construçao dos Inkas e do lado esquerdo uma dos... Incapazes (Espanhóis).

Pormenor de decoraçao do Ukuku's Bar. Uma referência da noite Cusqueña.
Esta é dedicada ao Jaimito e ás suas/nossas incontáveis versoes daquele grande tema "My way". Ficava mesmo ao lado do nosso Hostal.
Aqui sao tao fanáticos ou mais por futebol. Nos dias de jogo, multidoes amontoam-se ás portas (nao cabem todos lá dentro e teriam de consumir!)de cafés/restaurantes, deslumbrados com a magia do futebol. Contaram-nos que nos anos 60 morreram 500 pessoas num confronto entre policias e adeptos num campo de Lima. Isto é fanatismo!
Este é o Ukuku. Filho de um Urso e uma mulher! Um personagem da mitologia (ou nao!) Inka que vinha roubar mulheres e as levava para a floresta. Um verdadeiro artista INKA!
Uma das tradiçoes artisticas de Cusco. Os pescoços esguios de lama adaptados aos mais diversos personagens religiosos e outros.


O Museu de Arte Popular onde se pode admirar um imenso património que anualmente é escolhido numa feira típica de 24 de Dezembro.
Se o Tom Cruise soubesse que está a publicitar um salao de beleza/massagens (especiais ou nao! Depende se é para homem ou mulher!), etc.
Cusco... tal como Lima é um mundo de contrastes!
A via láctea e as representaçoes Inkas. Podem ver-se sombras com a forma de uma Lama (ao centro), um guerreiro com uma lança com os braços levantados (á esquerda, atrás da Lama), etc. As duas estrelas que formam os olhos da Lama só sao visiveis (nalguns anos) a partir de Setembro ditando um bom ano agrícola (caso estejam visíveis).

Praça central de Cusco. Um espectáculo de luzes e vida nocturna.


Aqui a tradiçao é tao forte que até os manequins têm coroas de ouro nos dentes.
Trajes típicos no templo do sol - Qorikancha.
O magnífico espectáculo das danças típicas no Centro Qosco de Arte Nativo.










Talvez nao consigam ler, mas reza assim: " Este departamento nao se vende". Vá-se lá saber o que leva alguém a por um anúncio destes!!?!?


E mais uns pormenores do Ukuku's Bar.
A Fi e o Matias. Um amigo que conhecemos nos nosso Hostal e que vem das terras do Che. Já viajou pela Europa, Marrocos, Índia e Tibete. Revelou-se um bom amigo e uma boa companhia nestes dias em Cusco.
Música ao vivo no Ukuku's.
Nunca tínhamos visto a dançar assim! Muito menos ao vivo. Estes dois eram tao bons que nos contagiavam de vontade de aprender a imitá-los. Mas pela pinta deve demorar uns anos!
Se o grande Pachacuteq se visse... Rodeado de semáforos amarelos!


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Olhar para dentro...

Olà amigos... Muito tempo jà se passou desde que começàmos esta viagem... Algumas das promessas para este Blog só agora tardiamente vêem a luz do dia.

Embora o calendàrio nao o comprove, perante os nossos olhos jà muitos filmes passaram, muitas aventuras se viveram.
Jà vimos o clima de quase todas as formas. Jà vimos pobreza e riqueza nas suas mais diversas formas, jà vivemos o medo, a felicidade, a tristeza, a liberdade e muitos outros sentimentos que por vezes parecem ser tao difíceis de repetir... jà vimos uma pessoa quase a morrer perante os nossos olhos, jà viajàmos de carro, barco, aviao, moto e outros veìculos que apesar de lhes darem os mesmos nomes pouco tinham de similar com os transportes aos quais damos os mesmos nomes por aí. By the way!!! Ficam a saber que o carro nº1 do Ecuador é nada mais nada menos do que o Susuki Swift, mais frequentemente designado por Chevrolet Swif, e que se pode encontrar disfarçado pelos mais diversos Tunnings! Porque por ali pelo Equador pode nao haver dinheiro para comer... mas para os tunnings nao pode faltar. E se for caso disso tenta-se extorquir um bocadinho mais aos estrangeiros! Porque há sempre um preço para o Equatoriano e outro para os demais. Claro està, que os tunnings por ali sao bastante mais modestos que os nossos! Fotos nao faltam... Mas ficarao para uma sessao posterior.

Mas como dizia... este aglomerado de vivencias e sensaçoes dao-nos a etranha sensaçao de estar a viajar à bem mais tempo do que aquele que o calendàrio nos informa... Sensaçao que se instalou logo apòs a primeira semana por sinal.

Apesar de tudo... Por vezes a sensaçao é contraditoria e tenho a sensaçao, como diz a menina miminho, que a ficha ainda nao caiu! Como se ainda nao me tivesse dado conta do sitio exacto onde nos encontramos.

Mas na verdade o périplo jà começou... Começou mesmo a sério! 3 semanas já là vao e desta vez sabe mesmo a aventura. As luzes, os odores agri-doces que se misturam na nossa garganta constantemente, os perfumes intensos das belas mulheres colombianas, as mil faces dos amigos e conhecidos... E nós sempre em direcçao a sul... Sempre.
Agora e durante os próximos 2 meses e picos, a agulha da nossa bussola vai apontar para SUL.
O facto de esta viagem começar num local e acabar noutro a milhares de Kms de distancia faz dela um desafio ainda maior... Os sìtios por onde estamos a passar jà ficam para tràs no minuto seguinte... jà sao passado. Os rostos que conhecemos jà dao lugar a outros! A paisagem que vemos à nossa frente... Jà se pinta de outra cor...

Viagens destas nao têm preço, nem se podem explicar...

Vivem-se! E cresce-se!

Sempre mais um bocadinho...

Apesar de tudo jà temos muitas saudades de muitos de vós...

Salut.

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Patrocìnio Eurolist: Josè Maria Pimentel


ESTATÍSTICAS

Já estivemos os dois doentes (nada de especial, coisa de dois dias e cada um na sua vez) - o Pedro com um desarranjo intestinal, eu com uma constipaçao.
Objectos perdidos (esquecidos) e reencontrados (recuperados) - navalha (Pedro); bolsa da máquina fotográfica com cartoes e objectiva lá dentro (Pedro)
Objectos roubados - bico multicombustiveis, frontal, óculos de sol (das mochilas, no aeroporto, nada que nos colocasse em perigo)
Crescimento - inmensuravel, com a promessa continua de aumentar e aumentar e aumentar...
Primeiras vezes (Pedro, ou Sofia, ou Pedro e Sofia) - maior viagem de aviao, primeria entrada na Colombia, Primeira entrada no Equador, Primeiro mergulho no Pacifico, Primeira entrada no Peru, primeira vez com cada metade do corpo no seu hemisfério (quase..., Primeira nota falsa observada, primeira moeda falsa observada... e mais um montao de primeiras vezes... mas mais dificeis e demoradas de explicar.

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SANTA ROSA - questoes ambientais

Na zona enebriantemente verde de Santa Rosa, onde existem cascatas por todos os lados, humidade e vida a explodir a cada centimetro...existem 2500 nascentes de agua. Nao poluidas... imagine-se... a questao ambiental nao é esta... é pior, nao solucionável localmente nem a curto prazo.

A quase totalidade das nascentes de água, provêm dos nevados permanetes, que existem a coroar os picos que mais altos se elevam ao redor das montanhas verdes mais "baixas" e dos vales de selva quase virgem. Estes nevados, estao a derreter a um ritmo tao grande nos ultimos anos, que as gentes de lá já nao dizem que estao a derreter, dizem que estao a desaparecer... Assim, os estudos apontam que em breve, toda aquela riqueza de agua tera desaparecido. 2500 para 0. Nao é diminuir, estamos a falar em desaparecer.

Quando os estudos apontam para o desaparecimento das nascentes de água, infelizmente, a surpresa levantada nao é muita... bem sabemos a que nos condenam os estudos e previsoes ambientais... Revolta sim, levanta-se muita, vontade de lutar, sim, bastante... supresa, infelizmente, já nao muita. Mas os estudos apontam para o fim da agua daqui a 8 anos. Aqui nasce a novidade da surpresa.

Em 2015, a regiao de Santa Rosa vai comecar a perder o verde... Custa-me um pouco imaginar isso, mas nao ha problema, que se continuarmos todos a ser tao "responsaveis", nao falta muito para o poder ver sem puxar pela imaginacao...

Na Colombia, nao há unidades insdustriais em grande número. É um país que vive mais da agricultura (nao interessa para este assunto que produtos cultiva, interessa que é agricultura)... E nao há nada que os colombianos possam fazer para evitar isto... E talvez o resto do mundo, por muito que queira ajudar, já nao tenha tempo...

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Ha mil coisas mais a contar, mil aventuras, mil pormenores, mil reflexoes... mas nao ha tempo. Do caderno que trouxe, ja so me sobram metade das folhas virgens para escrever, colar e desenhar... Pudera passar para aqui essa metade preenchida.

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O diàrio jà nos diz que passaram 5 dias desde que saltamos o Oceano para estas partes... As nossas memòrias... dizem-nos que passaram muitos mais dias... As 24 horas sao vividas com màxima intensidade, nao com pressa ou despacho, com intensidade.
A Colombia continua o mesmo paìs amavel e verde... De natureza imponente, montanhas escorridas e ricas de vida. Pessoas mais que simpaticas... amaveis... prestaveis... unicas... uma forma surpreendente de ser, que ao inicio algumas pessoas estranham e desconfiam de tanto que dao.

No dia em que chegamos, vencidos pelo cansaco e pelo atraso do aviao de Caracas para Medellin, ficamos a dormir em Rio Negro, uma cidade "pequena" de 1 milhao de habitantes. Resolvemos sacudir o rabo quadrado de tantas horas de vertigem de aviao. Um jogo de bilhar! Nada melhor... num cafè, no meio da praca bolivar (nao fossemos estar na colombia: as pracas principais chamam-se bolivar, nao todas, mas quase)... Entrada. Pedido de bolas. Jogar. Questao de meia hora tinhamos dois excelentes jogadores de bilhar de 3 tabelas a apresentarem-se: el doctor y el engeñero. Dois personagens de livro ou documentario, escolha-se que serve, ou misturem-se as duas, que estara melhor ainda. Trocamos avidamente informacoes... sobre as profissoes, sobre os paises, sobre as culturas...
El engeñero (mecanico, o pormenor) è um bom viva... nada mais que um bom viva. El doctor esta a tratar dos papeis para ir trabalhar para espanha... nem quero imaginar o que se passa na cabeca destas gentes... Que amam o seu pais, os seus ritmos, as suas culturas... QUe sentem quando decidem que tem de partir? E que nao partem porque sentem que querem, que isso lhes pede a vonatde... Partem porque querem amis dinheiro para pagar os estudos dos filhos, para pagar a sua casa, ou uma ropa melhor, que seja! Que sentem quando chegam la e nao encontram a terra prometida de que tanto lhes falaram? Que pensam nos primeiros caprichos do Inverno? Adiante... El doctor e uma pessoa calma, interessada, conversador... So mesmo o facto de compatirem anos do colegio juntos e o bilhar poderia unir na amizade pessoas tao diferentes uma da outra. Pagaram-nos uma cerveja. Mais uns minutos de conversa... À meia noite, o dono do bar poe-nos na rua... a partir dessa hora e perigoso estar a aberto. Que e perigoso irmos assim sozinhos para o hotel... Que nos levam de carro. E como sempre acontece nestas coisas, senti que podia confiar... o Pedro sentiu igual... fomos. (avaliamos duas ou tres vezes a confianca que estavamos a sentir, relaxem os pais, os avos, os tios e todos os demais!)
E estavamos a ir... mas o engeñero descobriu que a ultima comida que tinhamos no estomago era a do aviao. Nao nos podiamos ir deitar assim. Nao?! Nao! E fomos antes de ir... comer... Chorro de pollo con arepa. Entretanto, ao dono do bar, pesava-lhe a consciencia... Convidou-nos para um rum... Ali no meio da praca, num bar improvisado num carrinho de compras, modelo hipermercado... recheado de tudo o que consiga imaginar uma pessoa com creatividade. So depois nos deixaram no hostal... E mais nada. Nao nos deixaram pagar fosse o que fosse. Assim tem sido os colombianos que eu conhecia e todos os que temos conhecido.

E os dias tem passado assim, cheios destes acontecimentos, pessoas que se vao cruzando nos nosso caminho e nos no deles... Todos interessantes, mas com potencial para se tornarem massadores se descritos assim: na sua totalidade e com todos os pormenores.

Neste momento, estamos em Santa Rosa, em pleno coracao do Eje Cafetero. Estamos numa finca (quinta) de sonho, que temos por nossa conta... cedida pelo Henry, um dos tios do Felipe... O colombiano que se casou no sàbado... Outra aventura... Sem esquecer a serenata na vespera do casamento: com Mariachis... tudo a preceito. Gentes a fluir para dentro da casa da noiva ate nao dar mais... e no fim disso, ainda deu mais um bocadiho, porque eramos muitos e todos queriam ver os mariachis, e a noiva a chorar, e o noivo a beija-la, e as pessoas todas a cantar e dancar... como podiam... Corpos quentes da felicidade, da musica, do rum e da aguardente... que as almas aqui sao exigentes e estas festas querem-se bem regadas... e querem-se frequentes.
Entao... Santa Rosa e uma quinta por conta. Finalmente conseguimos acesso a internet que caminhe, que de rendimento para escrever... para dar alguma vida a este blog que se tem mantido com voces, com os vossos comentarios, que muito nos agradaram, que muito agradecemos, que muito queremos continuar a ver...
Hoje o despertar foi às 6h30 da matina! Fomos fazer uma caminhada ate uma cascata: Chorro de Lolo... Embrenhamo-nos pelo meio das montanhas, pelo verde imponente, que passou a selva, que passou a ribeira, que passou a selva na ribeira, que passou a cascata mais acima...
O destino inicial eram umas minas, com descricao de caminhadas muito mais animadas e aliciantes, muito mais plenas de aventura... Mas avisaram-nos que hà uns 6 meses foi vista guerrilha nessa zona. Resolvemos nao arriscar, portanto rumamos as cacatas, que nos disseram ser seguras.

A internet, conseguimo-la em casa dos donos da Finca. Temos passado os dias com gente que se preocupa em proporcionar-nos boas experiencias, toda a familia do Felipe se tem encarregue de nos com uma organizacao impressionante, dando-nos ar e espaco para nos e as nossas descobertas sozinhos.

Estamos, obviamentes, a frever em reflexoes, projectos e novos sonhos... POrque e sempre assim, comigo. Com ele. Os dois juntos... hum! a ver se nao explodimos de projectos antes do meio da viagem.

Amanha rumamos para detinos mais a sul, mas ainda na Colombia.

Este pais tem um potencial impensavel, mil recursos naturais, totalmente virgens, uma pedra em bruto, com toda a beleza que as pedras em bruto tem. Ha mil coisas para fazer, mil climas diferentes, mil ecossistemas para conhecer. Milhentas pessoas dispostas a acompanhar, aconselhar, a dar, a receber.
Um pais com problemas, bem conhecidos, por vezes exagerados, mas estao ca, nao se devem ignorar... Em todo o caso, aqui nao ha so guerrilha, paramilitares e coca... Tomadas as precaucoes, e um pais completamente normal... E as precaucoes a tomar sao tao simples como estas: estou a pensar ir atè aqui, esta bem ou ha perigo? E logo dizem... Com sorte, ainda se ganha um guia... ou um amigo.

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Começa a história!
Começou há mais tempo atrás, mas essas alturas de estufas de ideias são silenciosas, pouco palpáveis. Só reconhecíveis pelo brilho nos olhos de quem se agita com o sonho em crescimento, bem no seu interior.
Uma fase que vai de um segundo a anos... De silêncios resguardados por ideias e vontades... que se tornam tão surdas e definidas, que impelem à palavra e à concretização.
Todos sentimos esses silêncios.
Portanto, o que agora começa, já começou há muitos silêncios atrás. E vamos. Até ali. Por agora. Por terra. Para sentir, porque a terra sente-se no chão, com os pés em mundos com lendas para ouvir. Porque o ar e o céu são o lugar dos deuses, não das gentes que nos imprimem movimento... sem sequer o sonharem... impregnadas no seu silêncio... de lendas...

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