Patrocìnio Eurolist: Marco Nascimento


Mercado Central de Cusco - Peru

16 Abril


Quando entramos no mercado de Cusco,temos a sensaçao que é um mercado um pouco montado a pensar nos turistas... Uma vez que fica muito perto da Plaza de Armas e é um bom sitio para se conseguir fruta e sumos naturais... A sensaçao, vem do facto de se verem bancas bem organizadas, brancas, com os produtos muito bem expostos. A limpeza de moderada a alta.Nao se avistam bancas "vende tudo" e parece existir uma ordem lógica: as frutas,os vegetais, os queijos,os secos, os talhos, as roupas e os costureiros, o artesanato e os materiais para o artesanato. Tudo separado por secçoes.
Sendo o mercado extenso, e o fascinio exercido por todos os produtos até metade da entrada grande... poucas pessoas passam para além da metade do mercado. Para além disso, existe uma parede enorme que,de longe e de muito perto, causa a sensaçao de que o mercado acaba ali.
Perto da parede, é a zona underground do mercado... ou a mais ou menos... depois de vermos a outra metade...
Perto daquela parede, estao as bancas do Pau Santo, dos pacotes feitos para ofertas à Pacha Mama (terra mae), dos incensos naturais, das sementes e ervas secas para cada mal do organismo... e de todo o tipo de droga natural e alucinogénica que as terras por aqui produzam. Preparadas, em pó, em folhas, ou cacto, ou raíz, ou semente. Forte ou pouco forte. Dissimulado para passar no aeroporto, nao dissimulado.
A esta secçao vao turistas mas, sobretudo, locais. Já começa a impor um certo respeito... Embora a naturalidade de movimento dos cusqueños se conserve nesta secçao.
Perdendo os olhos em algas e ovas secas, descobrimos a passagem... Olhamos uma vitrine onde se vendem poçoes para quase tudo. Esticamos um pouco mais os olhos para cima e espetamos a vista em cima de fetos de alpaca, secos, pendurados... Sao ofertas para a Pacha Mama. Queima-se, juntamente com os pacotes que vimos antes. Os bonitos. Os que estavam do outro lado.
Entramos no universo paralelo do mercado de cusco. Ras vivas, mortas ou esventradas, tudo ao monte. Ah! Aqui está a desorganizaçao organizada por cheiros e cores misturadas a que estávamos habituados nestes mercados!!! Os famosos "vende tudo".Um corredor de "talhos"... com cabeças de boi sem osso, poisadas como um saco vazio, alinhadas em fila e a pingar. Gorduras secas e penduradas (sem moscas mas com odor), um balde cheio de tripas (nem todas bem lavadas) e um cao a lambe-las... Há que enxotá-lo para tirar um kg delas, que é o que a cliente quer. Ao lado, as bancas de comida cozinhada.
Assim começou o festival para os sentidos... um mercado forte, o do outro lado. O das essencias para bruxarias, o dos cheiros de um fétido nao normal... um fétido oriundo de estranhas coisas e seres que por lá se vendiam...
Perdemo-nos no mercado, e encontrámos um mundo.


Uma das várias crianças que vimos a brincar com um saco de plástico cheio de ar. Só isso! E isso já é muito para estas crianças!

Pequena banca/mercearia repleta de cores. Aqui os preços sao bem mais modestos e ainda assim sempre susceptíveis de serem negociados.

Saladas de fruta e outras guloseimas prontinhas (nao sabemos é hà quanto tempo!!) para satisfazer a gulodice dos traseuntes.

Mais uns espécimens das gulodices típicas.
E esta contruçao... Sugere-vos alguma coisa suas mentes perversas!?
Bancas dos sumos. Neste caso a festa já é outra, e dentro do que nos foi dado a ver e provar, aqui o sumo é preparado na hora com frutas super suculentas e a um preço irrisório. E é nada mais nada menos do que delicioso! Dá mesmo vontade de contratar uma senhora destas lá para casa só para nos fazer sumos durante o dia todo!

Queijos e cogumelos... "Levese mamita!", "Quanto quer pagar?"

E as crianças vivem e olham pelo meio de este amontoado de formas e cheiros mais ou menos nauseabundos.

Pao de passas... mas só com 3 passas para um diâmetro de uns 60 cms! E dizem que nao se estraga... Comprovámos que pelo menos dura mais que os outros!
Secçao "junto á parede". Com um porquinho a disfarçar aqui consegue-se comprar a chamada Ayhuasca, Yahe ou tb chamada de remédio sagrado. Prontinha! Depois é preciso ter a ousadia ou estupidez para a tomar sem a orientaçao de um Xama(n)!

Aqui, os ofícios aprendem-se desde muito pequenino.
Desculpem as fotos nao rodadas... Mas estes fetos de lamas tinham mesmo de constar!
Narizes de vaca... Sem comentários! E melhor ser sem cheiro!

E no meio de um mercado fervilhante... A pobreza... Sempre a pobreza!

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Patrocìnio Eurolist: Manuela Filipe


Huaraz - Mercado

e a busca pelos chapéus perdidos!!!

Parece um santinho!!! Mas foi só quando apontámos a máquina.... Segundos antes estava feito louco a tentar despedaçar uma palmilha de uma sapatilha. Se repararem bem o artista está com ar dissimulado.



O mercado...
...um mundo de cores...
...imagens...

...e odores!



Por aqui encontra-se de tudo...


...sumos em saco de plástico (um "must" daqui do Perú!)...
...calças e rabos...
... ofertas e pedidos de emprego muito bem ilustradas.


31 de Março

A nossa busca pelos chapéus levou-nos ao mercado de Huaraz. Uma mescla de cheiros, cores e consistências a que já vamos habituando os sentidos, embrutecidos pelos excessos de estimulos.

Um merdaco de roupa, vegetais, carne (viva, morta e desfeita), peixe (fresco e salgado), fruta, cadernos, lápis... Todo o tipo de pregoes e preços. Odores que, à sua vez, despertam fome e no segundo a seguir, nojo e vómito. O agre e doce. O sujo no chao... que hoje se faz sentir mais real em dois pares de pés em chinelos, porque as sapatilhas ficaram a secar.
Aqui os frangos vivos, ao monte, dentro de uma rede. Ali à frente, mortos, pendurados em fila pela cabeça, com uma organizaçao geométrica impressionante. Uns passos mais à frente, cozinhados. O milho de todas as formas, cores e tamanhos. O mesmo com as batatas.
Massas e arroz desfilam por corredores sombrios, por força do amontoado de gentes naqueles espaços estreitos e improvisados.
Aqui uma sra passa a empurrar um carro carregado de maças vermelhas, grandes e brilhantes. "Chilenas!" - anuncia. A água cresce na boca. "Provese mamita, no mas!" E passa-me uma maça meia trincada. A vertigem... Nao. Nem, pensar.
Mais à frente, um festival de cores de frutas mais ou menos exóticas. Cores acompanhadas por odores que dançam ao vento... que invadem as narinas e provocao nova salivaçao. De repente, o vento troca de sentido e traz de mais além o odor a urina seca e acumulada. De novo, a vertigem do vómito.
Ao lado da loja dos chapéus, um pequenito vira-se de repente e começa a urinar. Rápido e espontâneo demais para permitir resgatar a Holga do pescoço e sacar-lhe a maldita lomo. Tao rápido e tao intenso que, se nos distraímos um segundo que seja, perdemos o festival de vida a acontecer à nossa volta.
Um pulinho para o lado, mesmo a tempo de evitar a baldada de água e sabe-se lá mais o quê.
Olho desesperada para as gentes. Tento adivinhar-lhes a vida. De onde vêm, o que fazem quando nao estao ali. Tenho vontade de perguntar e saber... Mas aqui a vida acontece a correr.
Um velho surge do nada e de repente, encolhido e coberto de lixo de dias, meses, anos, passados nas ruas. Cheira a urina e outras coisas que nao consigo distinguir. Estica a mao que encosta à minha barriga. Quer qualquer coisa, mas nao entendo o quê. Dinheiro ou comida. Por certo! "Perdona señor... no...". Viro a cara para o outro lado e um casal de crianças, pequenas, muito pequena... mas muito maiores do que aparentam... "Regalame caramelo!". Também elas sujas, mas de brincarem por ali. Sao livres, como nos disse alguém acerca das crianças. Nao aqui, mais acima, em Huanchaco... Mas dá igual. Estas estao sujas porque também sao livres. "No tengo, perdona.". Tento nao me distrair do resto que se passa à minha volta... porque é tanto!!!
Nao avistamos um único turista naquele ambiente compacto de cheiros, sons e cores. Numa cidade que vive do turismo. É a zona do mercado. A zona vermelha.
Ao canto, uma sra acaba por ceder aos caprichos da fisiologia. Agacha-se ligeiramente e afasta as saias coloridas. Ao mesmo tempo, passa um homem com um carro de mao com melancias cortadas e descascadas. Tapa-me a vista da sra e leva-me para um petiz que retira copiosamente macacos do nariz, raspando a unha suja (do momento e de momentos antes, de dias antes) nos dentes.
Logo passa um homem a vender revistas pequenas... com banda desenhada. A história da semana santa. 1 sol. Viro a cara um segundo para olhar para a banca da fruta e já tenho uma BD chapada à frente da cara "Levese mamita! 1 sol!". No gracias...
Aqui mesmo ao lado, os cuis, dentro de um saquinho de rede. Esses animais de aspecto amistoso, semelhantes a hamsters, que se comem fritos, grelhados ou guisados... Um pitéu requintado. Vivos, ainda, os animaizinhos quase nao se mexem, uns em cima dos outros. Paro por uns segundos a olhar... Perguntam-me se já provei. Digo que nao... Que sao parecidos a animais de companhia, que seria o mesmo que comer um cao... Ela nao entende. Mas nao pelo espanhol, que o sotaque nem está mau.
E continua, e continua... até que damos com o fim do labirinto do mercado. Vemos de novo o céu e precisamos de nos sentar para digerir tudo o que acabámos de sorver, sofregos e felizes.


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