Patrocìnio Eurolist: Silvina Dias

Ida para Machu Picchu
18 Abril



Muitas sao as pessoas que querem conhecer o suposto ultimo refúgio dos Inkas (ou cidade perdida dos Inkas). Pelo valor arqueológico, pelo valor espiritual, pela curiosidade... O turismo do Peru, sabe disso. O turismo do Peru, também sabe que para se chegar a Machu Picchu, primeiro, tem que se chegar a Aguas Calientes. O turismo do Peru sabe, ainda, que a Aguas Calientes, só chega uma linha de ferro. Aqui começa a vergonha ligada ao acesso a este local... Existem dois comboios: uma para os locais, outro para os turistas. Até aqui, tudo muito bem, que nao é justo os turistas pagarem muito pouco porque só lá vao uma vez na vida (ou duas, ou tres... mas nao todos os dias), nem é justo para os locais pagarem um preço mais alto...Os locais pagam, para fazer o trajecto mais longo, 20 nuevos soles, ida e volta (5 euros), os turistas pagam 47, só de ida... Dólares. Que por aqui tudo o que mexa de mochila ás costas, paga em dolares... Sendo que, em época baixa como esta, suprimem os comboios de preços mais baixos...
Achamos tudo isto revoltante e resolvemos iniciar um movimento silencioso de protesto. Para protestar, para poupar e para tornar a coisa mais interessante, uma vez que o Caminho Inka (qual deles? o que vai do km 82 da linha de ferro até à porta do sol de Machu Picchu) estava com as vagas cheias até Julho... Levamos connosco dois ches que se revelaram excelentes companhias... E ficaram bastante massacrados no fim dos dias que nos acompanharam...
Saímos de Cusco de noite, num autocarro que nos deixaria, 9 horas depois, na selva, em Santa Maria. Nove horas cheias das mais diversas peripécias e aventuras. Daí, combi para uma outra aldeia perdida no meio da selva, chamada Santa Teresa. A meio caminho, no entanto, avistámos umas águas termais, perdidas no meio de um vale... Resolvemos abandonar lá o corpinho, amassado de uma noite muito mal dormida, mas muito bem passada. Houve quem adormecesse na água...
Caminhar, passar uma derrocada de terras (e nuitas pedras tb!!), centenas de picadas de mosquitos (que, temos a certeza, comem repelente como goludice), linha de comboio, mais picadas, noite, cansaço... Por fim, a ansiada chegada a Aguas Calientes. Machu Picchu espera por nós amanha!!!


Terminal de Santiago - Cusco. À espera, pacientemente, pelo autocarro que nos levaria a Santa Maria (selva!!!)

Um contratempo durante a viagem... Pneu furado...

e uma oficina peruana serviço 24 horas, perdida no meio... do quase nada...

A imponente paisagem do caminho de Santa Maria para Santa Teresa.

A descer... para as águas termais... Custa depois de uma noite mal, ou nao, dormida num autocarro...



Um exemplo de uns espécimens de uns 20 cms que circulam ali pelo meio da pré-selva!

Mas os fins justificaram os meios!!! Houve quem adormecesse dentro de água!!!

E o Pablito nao pára...

Vivem duas familias nas águas termais, para cuidar e cobrar os bilhetes.


O Pablito ía ficando por aqui! Esse vendido!
Santa Teresa. A nosssa passagem coincidiu com a saída da escola!
Por aqui, as pontes saem caras e a necessidade de passar o rio é grande. Um rio forte destes, nao pode ser passado a caminhar... Entao surgiram as Oroias... Um sistema movido a força de braços. Tem a vantagem da travessia ser feita na posiçao sentada!
E aguenta bem com dois, e mais duas mochilas! Depois de termos visto 3 senhoras a carregarem a Oroia com cestos de fruta e meterem-se lá dentro também, depositámos muita fé na resistência do mecanismo!
E o desabamento de terras da praxe, destes lados. Mas este foi dos grandes! Grande parte da montanha veio parar cá abaixo... Calhaus do tamanho de casas nao eram muito invulgares lá pelo meio!



Uff... Agora é só caminhar pela linha de caminho de ferro umas 3h... e chegamos a Aguas Calientes!
Mas as travessas de madeira da linha de caminho de ferro podem tornar-se uma verdadeira tortura ao fim de algumas horas...
Tcharan!
E o merecido jantar de recompensa!

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Patrocìnio Eurolist: Marco "Magé"



Machu Picchu

19 Abril


Machu Picchu...
A entrada revela uma construçao imponente e desperta uma sensaçao forte, muito parecida à emoçao... à comoçao... que invade o peito, as entranhas, estende-se à ponta dos dedos, levanta os cabelos e arranca vontades de lágrimas aos sacos lacrimais. É uma sensaçao espiritual e tambem visceral.
É absolutamente impressionante a organizaçao desta estrutura. Dá vontade de imaginar em directo a vida naquelas ruínas. Passo à acçao: fecho os olhos e puxo com força eu nao sei bem por que... e nada. Só a mesma emoçao/comoçao, mas mais forte. E o vento. Para imaginar a vida por aquelas partes, só mesmo tentando pôr telhados nas casas, imaginar as cores que vamos vendo aos camponeses andinos, escutar as teorias que vamos escutando e pôr a mescla toda em movimento. Mas nao me chega...
Com o avançar da hora, grupos de turistas marcham sobre Machu Picchu... Invadem o que a publicidade e a nossa imaginaçao nos deixou adivinhar tranquilo... e é com uma ponta de admiraçao que descobrimos egoísmo na nossa concepçao mental de Machu Picchu: "Sim, imaginei isto sem ninguém. Nao forçosamente só para mim, mas com menos gente". E é isto que eu lastimo de mansinho em Machu Picchu: é de todos, porque todos têm o direito... mas para mim, nao é sinónimo de paz. De emoçao, de grandeza, de sensaçao, de imponência, de mistério... Mas nao de paz.
Subimos a Wayna Picchu... onde se amontoavam pessoas com tracçao ás quatro extremidades nas poucas e pequenas pedras congestionadas... E nós que pensámos que lá em cima, pela relativa dificuldade da subida, encontrávamos paz!!! Só encontrámos mais turitas, guardas apressados, muitos degraus e paisagens avassaladoras das montanhas e rios à volta de Machu Picchu... Paz? É a velha história: só encontrámos a que levámos dentro de nós.
No fim do dia, o cansaço e a chuva empurraram-nos montanha abaixo, para dentro das águas termais de Aguas Calientes. De certa forma... Uma desilusao depois da nossa anterior experiencia de termais na selva em Sta. Teresa!!




De Aguas Calientes a Machu Picchu é 1h15min a subir, mas a bem subir!!! 1800 degraus de passo irregular e bem suados! Mesmo pelo fresco da madrugada!

Mas a chegada ao topo compensa... com a paisagem do nascer do sol por trás das montanhas.

Isto é o que se encontra no fim da subida, antes da vegetaçao deixar avistar a entrada das ruínas... Moralizaçao peruana em acçao!!!

"Que a paz prevaleça sobre a terra" - escrito em 4 linguas diferentes, à entrada, para as pessoas que vêm dos 4 cantos do mundo

Os ches... chegaram derreados lá acima... mas sempre bem-dispostos!!!

Machu Picchu... Um muro do "bairro" dos camponeses... Quem entrava e saia por estas portas? Como?

Wayna Picchu e Machu Picchu...

Trompeteiras em Machu Picchu!!!! Nao cheiravam tao bem como as de Torres Novas...

E se duvidas existem... sao mesmo das que estao em Torres Novas...

Um dos poucos que se pode dar ao luxo de viver em Machu Picchu!

Outro angulo... Impressionante como acompanha a forma da montanha, sem a destruir com um planalto forçado! Será por isso que resiste tantos anos depois, numa zona em que chove tanto e em que tantas estradas sao tapadas por desabamentos de montanhas???

A Pedra Sagrada. Possivel centro energético... Nada como por a maozinha para tirar as teimas.

Sentem?!... Parece existir mistério por todas as partes...


Duas flores em Wayna Picchu!
E o Mundo sobe!!! E sobe!!!
O rei Inka no seu templo da Luna.
E os joelhos nao perdoam... No fim de tantos esforços prolongados... Eles apertaram e apertaram bem! O segredo é nao lhes dar mais importancia que aquela que merecem... e seguir!
Sempre para cima! Este é o caminho do templo da Luna para o topo de Wayna Picchu.

Machu Picchu... Impressionante como está mesmo em harmonia com as formas da montanha!
Tao lindos! Os dois no topo de Wayna Picchu... Depois de esperarmos que uma boa dezena de pessoas abandonasse uma das pedras da fotografia típica! Sentámo-nos uns 15 minutitos a disfrutar da paisagem!
A unica ponta mais ou menos pouco congestionada de Wayna Picchu... Vá-se lá saber porquê!!
Os ches... Depois da sofrida sobida a Wayna Picchu.
E cá está... Um verdadeiro exemplo da subida a 4 patas que a grande maioria dos turistas adoptava!! Pode nao parecer, mas a escadaria é mesmo a pique!



Japoneses em Machu Picchu. Sao, de facto, uma espécie fascinante! Armados do último grito em tecnologias, disparam como metralhadoras em todos os sentidos. Ficou por esclarecer o estranho mistério da luvinha branca que quase todos ostentavam!!! Talvez para nao sujarem as máquinas!???
Uma porta... nao do sol, mas por lá passavam sacerdotes. Reparem no acabamento do trabalho de polimento das pedras!
A foto da praxe! É daqui que as fazem para por nos postais. Só que normalmente com céu azul!!
Mais uma personagem! Japonesa... Para nao variar!


E o Pablito continua imparável!
A Menina Miminho contempla as escadas e conversa com os joelhos... longa conversa por sinal! Durou até chegar-mos lá abaixo!!
Mais um passinho para tras! Só mais um!
Pedra cerimonial. Aqui fazia-se culto ao mundo de baixo (mundo da serpente). Em cima, num terraço, ao mundo de cima (mundo do condor).
Lamas... Espalhadas por Machu Picchu... E o che, que aguardava ansioso que a Lama desse uma cuspidela ao Menino Miminho... que já tinha a camara apontada ao focinho da Lama há uns largos minutos... Ela já ruminava nervosa...

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