Patrocìnio Eurolist: Ruizao

Huayna Potosi - 6088m!!!!!!! - Bolivia

À volta de La Paz há uma quantidade enorme de montanhas à espera de ser escaladas, ou simplesmente subidas. Algumas só requerem alguma resistência e mentalizaçao de que custa respirar... Depois, é só caminhar.

Huayna Potosi, é uma montanha de aspecto agradável, e imponente, nao tivesse 6088m... É uma longa caminhada e escalada nos ultimos 200m, numa parede pouco inclinada mas que desafia os nervitos dos menos experientes.

Chegámos ao refúgio (género de campo base sofisticado) e comecei logo a sentir o formigueiro do entusiamo, primeiro no estomago, depois no corpo todinho!!! Nessa tarde fomos escalar num glaciar ali ao lado. A 4700m, escalar nao é para meninos...

No dia a seguir, depois de muitas horas de descanço, estava prevista a subida ao campo alto (5700m) e, ás 24h00, iniciar a subida. Deitei-me impecável, acordei meia aturdida... 10 min depois nao conseguia comer, nao conseguia ter-me em pé em condiçoes, nao tinha energia para nada e nao estava... nitidamente, em condiçoes de ir, sequer, até ao campo alto. Foi a primeira vez que deixei de fazer, ou de tentar fazer, alguma coisa por falha do meu corpo. Positivo, muito... Mas, tinha de ser justamente naquele dia????!!!! Nao foi a altitude, porque os sintomas gastro-intestinais e as manchas no corpo deixaram-me pôr de parte essa hipótese.

Mas... O Menino Miminho seguiu caminho e chegou ao cume!!! O Mundo de Lendas chegou quase ao céu!!!!!!!!!!!!!

Os preparativos... Depois de uma grande odisseia para conseguirmos alugar o material, fizémos do quarto um verdadeiro arraial... Para ficar tudo bem arrumadinho e termos a certeza que nao nos ía faltar nadinha!

Lá conseguimos transporte até ao refúgio... Um taxista que deveria estar a trabalhar para a agência do refúgio com a máxima eficiência mas... logo à saída bloquearam-lhe uma roda e estávamos a ver que ainda nao era naquele dia que chegávamos lá acima. Depois, furou um pneu... Mas apesar de tudo era bem simpático, o sr. taxista!


Estou-te a ver! Cumé!!! Vamos ou nao????

Uma pequena ilustraçao para desmoralizar os ladroes mais atrevidos... Eles sao muitos!!! Mas aqui nao se perdoa! Linchamento público!

Começámos a avistar a montanha!!! Linda!!! O cemitério, tem um ar vivo... Dizem que é onde sepultam os turistas que caem do cume! ehehe... Mas afinal era tudo brincadeira!

Convívio nocturno (bom, mais de fim de tarde...) no refúgio. O grupo era interessante e estávamos todos derretidos da escalada no glaciar dessa tarde... mas insistimos em resistir uns momentos mais para trocar dois dedos de conversa.

Campo alto!!!! A Menina Miminho teve de abandonar o barco... Ía bem revoltada... Temos mesmo de ir dormir até ás 24h00? Nao podemos arrancar já??? A montanha lá fora à espera e nós cá dentro... Lá fora: -4ºC. Durante a noite a temperatura baixaria até aos -11 ºC... Com o vento baixou até aos -20 ºC.

Os novos caracois!

Ahah!!! Finamente começámos a caminhar em direcçao ao que interessa! Haviam alguns grupos a subir nesse dia. Acabei por andar pertinho de um deles.


Hei!!! Cansa nao cansa?! Mas sabe tao bem!!!!!!!!!!!!!

Mais um passinho, vá lá! A velocidade do movimento já nao chega para aquecer. Quanto mais para cima, mais lenta a marcha... Mais frio se tem. Cada passo começa a ser uma pequena tortura para a respiraçao tao ofegante.

Um descanço antes da rampa final! Os dedos das maos já nao respondem!

Agora sim, bufem aí!!! A inclinaçao: 50º... as condiçoes do gelo, ideais para escalar... Mas eram 200m e para quem nao está habituado a verticalidades e branco, cansa e desafia um pouco os nervitos.

Os Passos lentos... Trasformaram-se num gatinhar bastante vertical! Pareciamos estar a movimentar-nos em câmera lenta...


Eheh!!!! 6088 m!!! Cá estamos! A vista é magnífica, a sensaçao indescritível! Agora falta a segunda parte! Pois uma montanha só conta quando chegamos inteirinhos lá abaixo!

O sol nasceu... E as nossas extremidades geladas pareceram renascer das cinzas! Nada como uma noite na montanha para dar um valor incalculável ao rei Sol.

Tranquilos... montanha a baixo, já com a segurança do calor do rei Sol.

A descida é tao rápida que quase admira a quantidade de tempo que demorámos a chegar lá acima... 1h e meia para descer para umas 5h e meia de subida!

Na descida para o campo base... aconteceu um problemazito com a máquina fotográfica... Escorregou montanha abaixo até parar numa pedra bem dura!


Abençoado filtro!!!! De outra forma teria sido a lente da objectiva!

O cansaço resultante foi... como se vê... extremo. Adormecer de bolachas na boca!!! Que é mais importante? A fome ou o sono?

Convívio com o louco do Italiano Andrea. A Menina Miminho já estava melhor, nao podia era estar muito longe de uma casa-de-banho...

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Patrocìnio Eurolist:Paula Monteiro

Macha - Bolivia

A Festa do Tinkuy


Tudo é impressionante. Os trajes, a boa disposiçao, a predisposiçao com que vao...

Desta, nao nos vamos alargar muito. Um breve anotamento... Prometemos depois mostrar e contar mais. Quando voltarmos.
Macha é uma localidade que fica a norte de Potosi, à qual se acede por estradas absolutamente rudimentares durante as quais vamos ganhando a sensaçao que nos estamos a deslocar para o verdadeiro fim do mundo.
A dita festa realiza-se todos os anos por volta do dia 3 de Maio (altura em que surge a curz do sul, constelaçao ultra importante para as civilizaçoes andinas). Nesta altura, sacrificam-se lamas para a Pacha Mama, inicia-se o período de colheita e... nesta regiao, celebra-se o Tinkuy. Pratica-se há já 400 anos (houve quem nos dissesse 600) e nao houve Inka, Espanhol ou Inquisiçao que a destruisse. Claro que foi sofrendo umas alteraçoes, sinais dos tempos.
Todas as populaçoes dos arredores de Macha, deslocam-se, a pé!, à aldeia. Circulam em grupos sem se misturarem muito, salvo raras excepçoes. Cá vamos nós... Este ano a coisa esteve controlada pela policia. Combates, só dentro de uma roda bem delimitada e controlada... Pelo menos, teóricamente!
A música, com as danças e os cantares das mulheres, quase nao deixam prever o que se passará no minuto seguinte...
As regras dizem que o combate pára quando se verte a primeira gota de sangue... Mas nem sempre é assim e há combates que acabam com mortes... Por isso, este ano, a policia foi chamada a controlar, quando necessário.

Cantam, dançam, tocam, correm pela aldeia (principalmente à volta da praça) bebem muita chicha (bebida alcoolica tipica feita da fermentaçao do milho triturado e fervido) e... quando se cruzam grupos, batem-se até à morte. Sim. Nestas raras alturas em que os grupos se mesclam é para combater.
Uma verdadeira batalha campal, uma guerra à antiga. Nao partam decididos e precipitados a julgar... usando palavras como barbaridade, selvajens, crueldade... etc. A festa tem um fundamento, tem um motivo pelo qual nao se extinguiu e... É violenta, certissimo. Somos pacifistas, os dois, mas ao fim de umas horas de conversa com Dom Tito, abrimos os olhos e envergonhámo-nos dos nossos julgamentos precipitados.
Este ano nao houve mortos (até nos virmos embora) porque a policia tinha sido chamada a intervir... porque para os tempos modernos, por mais perdida que seja a aldeia, mortos é uma má publicidade.
Os "turistas" sao muito mal vistos e existiam poucos. Uns 5 ou 6. Jornalistas, fotógrafos e camera-mans, alguns. Estivemos no meio de um ambiente estranho e o saldo resultante foi muito, mas muito, positivo. Temos material e informaçao suficiente para fazer uma coisa que já queriamos fazer quando saímos do nosso pequenino e acolhedor país: uma reportagem bombástica!
Violência, é violência. Sangue, é sangue. Para nós, sería impraticável uma festinha destas, todos os anos, na Golega... por exemplo. Mas esta tem um fundamento que vem antes de nós, quem somos nós para apontar dedos e gritar selvagens ao primeiro impulso?

Antes do combate, o cumprimento! Alguns sao amigos de infancia e mesmo do peito!
As regras valem para todos... É guerra é guerra! Mas nao vimos ninguém com pouca vontade... Alguns mesmo com vontade de nos integrar na tradicao!
A técnica, vao-na aperfeiçoando ao longo dos anos... Grande gancho!!! Com a esquerda!
Nem as mulheres vacilam. E por aqui veem-se muito poucos puxoes de cabelos!

Os feridos vao tombando, mas cedo se recompoem para nova luta ou dança. A chicha faz milagres!!!
O sangue vai surgindo pelo chao. A praça torna-se num enorme ring... de dança e luta.
Os trajes sao impressionantes... e o charango escuta-se todo o dia... e toda a noite. Chega a uma altura em que o ouvimos mesmo quando nao toca!
Dança ou inicio de batalha?! Olho vivo... E saber estrategicamente de onde observar.
As cruzes sao transportadas como bandeiras de cada grupo.
A chegada de mais uma comunidade à praça. Sente-se a vontade que trazem de medir forças... E nesta posicao... Talvez nao ficar muitos mais segundos!
O foclore quase nos faz esquecer o ambiente de tensao... Quase!
A guerra campal nao controlada pela policia. Aqui choveram pedras, fizeram-se feridos e viram-se mulheres a chorar desesperadas. Mais tarde, com a intervençao da policia, as coisas controlaram-se... mas os animos nao se acalmaram.
O público. Há gentes que nao se juntam á confusao central... Poucas, mas há.
E que tal ires para o meio da roda? Hem?! Daí seria mais fácil!!! eheheh
O fotografo, o jornalista e o cola do guia!!!! Já nao podiamos com ele (o guia...). Parecem relaxados, mas apenas por instantes. Melhor nao se poisar muito tempo no memso sitio...
Dá-lhe Paolo!!!
Uma vez mais... nao se deixem enganar pelo ar de descontraçao... A tensao reinava no ar... E as vezes demasiada mesmo!

Olho pequenos!!! Nao fiquem aí muito tempo descontraídos!!! A Fi e as analógicas.

Hei!!!
Uma quase guerra descontrolada... e os esforços da policia... Eram 30 agentes, no total... para umas boas centenas ou mesmo milhares de pessoas.
Ok... Mas... nao é a maior preocupaçao no momento... Alem disso deviam acrescentar: "...e depois de andares á batatada!"

Tao lindas... Tao calminhas!
Autenticos trajes de guerra... Mas coloridos e mais vistosos. Aqui o interesse nao é passar despercebido.
Oi! Um ali no meio!
O ring improvisado... na tentativa de evitar mortos.
Dao mesmo forte, nao é a brincar.
Alguns só dao mesmo uma... ou alternaticamente só recebem uma!

Chao virgem... Ainda.

Macha fica... mesmo... perdida no meio dos vales em altura...Para vir embora... tivemos mesmo de apanhar um camiao de gado. Duas horas em pé, em equilibrio precário... No meio de uma multidao meio ensanguentada meio animada ainda para a "festa". Uma hora e meia de pura tensao psicológica.

No meio das pessoas que voltavam da festa. Ébrias... e sem uma vontade especial em partilhar o camiao com os gringos... A coisa esteve quente, mas estamos uns verdadeiros diplomatas.No fim, sobrevivemos todos, os gringos. A Fi ía ficando, em troca de uma Cholita! Isso é que tinha sido uma festa... Mas e explicar-lhes que nao sem ofender?! Homens ébrios, com ganas de luta e com sangue seco na cara, por norma, falam mais do que escutam... Pelo menos estes.
Uff... Enfim alcatrao.
E Macha que ficou lá bem para trás do horizonte.


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